Ingressar no mercado de trabalho
é um dos momentos mais marcantes da vida. É quando a visão de mundo se amplia,
novas responsabilidades surgem e um ciclo de aprendizado efetivamente começa.
ara muitos jovens, no entanto, esse início é atravessado por uma barreira
recorrente: a exigência de experiência prévia. Mesmo diante de disposição,
interesse e vontade de aprender, a oportunidade nem sempre é concedida. A
resistência em ensinar e a ideia equivocada de que o jovem é incapaz acabam
afastando do mercado talentos que apenas precisam de uma primeira chance para
se desenvolver.
Esse problema não atinge apenas os mais jovens. Pessoas mais velhas também
enfrentam dificuldades semelhantes, frequentemente rotuladas como incapazes de
aprender algo novo ou de se adaptar a ambientes diferentes. O etarismo,
portanto, manifesta-se de forma contraditória: ora a idade é considerada
insuficiente, ora excessiva. Surge, então, uma reflexão inevitável: até que
ponto a idade deve ser um critério determinante para a contratação?
A legislação brasileira reconhece a importância da inclusão no mercado de
trabalho. O Estatuto da Juventude (lei nº 12.852/2013) assegura o direito à
profissionalização, ao trabalho digno e à participação social, incentivando
políticas de estágio e aprendizagem. A Constituição Federal, por sua vez, veda
práticas discriminatórias no acesso e na permanência no emprego, reforçando o
princípio da igualdade.
Ainda assim, na prática, muitas empresas optam por evitar o desafio de formar
novos profissionais, transferindo ao indivíduo a responsabilidade por uma
experiência que só pode ser adquirida por meio da oportunidade. Esquece-se de
um ponto essencial: ninguém nasce pronto. Todo profissional já esteve em seu
primeiro dia.
O jovem pode ser inexperiente, mas costuma ser ágil, criativo e aberto ao
aprendizado. Da mesma forma, profissionais mais velhos carregam maturidade,
responsabilidade e vivências que enriquecem qualquer equipe. A capacidade
profissional não está na idade, mas na disposição para evoluir.
Promover inclusão profissional exige mais do que discurso. Exige prática:
treinamento, respeito ao tempo de adaptação e abertura para diferentes perfis.
Combater o etarismo é permitir que talentos floresçam. Muitas vezes, oferecer
uma chance é o “gatilho” que transforma não apenas uma carreira, mas todo um
futuro.
Autor: Alexandre Silva de Aquino
Assistente Jurídico na Maia
Pereira Advocacia
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Revisora: Vívian Pereira
Advogada Internacional,
Compliance Officer e Sócia fundadora na Maia Pereira Advocacia
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